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Lucro com gado confinado no Brasil teve alta de 28,85% em 2025
Resultado reflete cenário de custos sob controle e alta da arroba do boi, diz Cargill
Levantamento analisou 217 confinamentos em todo o país — Foto: Wenderson Araujo/CNA
O lucro médio por animal confinado no Brasil em 2025 ficou em R$ 869, aumento de 28,85% em relação aos R$ 674,4 por cabeça registrado no ano anterior, segundo levantamento feito pela Cargill junto a 217 confinamentos do país. Ao todo, a amostra soma mais de 2,7 milhões de cabeças de gado, o que representa cerca de 27% do total do rebanho bovino nacional mantido em sistema de confinamento.
O resultado, segundo os executivos da companhia, reflete um cenário de custos sob controle, com preços de grãos como milho e soja em queda na comparação com 2024, e de preços da arroba em alta diante de exportações recordes e consumo interno aquecido no último ano.
“O ano passado foi um ano muito bom economicamente. O preço da arroba veio bom boa parte do ano, o pecuarista conseguiu fazer uma dieta barata e conseguiu atingir números como esse”, destaca o gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal, Felipe Bortolotto.
A pesquisa também questionou as expectativas do pecuarista com a operação em 2026 e para 70,2% deles, este ano será melhor quando comparado a 2025. Para outros 21,5%, o cenário é estável e para 6,3% deverá ser pior. Cerca de 2% não souberam opinar.
Em relação às principais oportunidades para este ano, 62,86% citaram o valor de venda dos animais e outros 52,38% citaram o custo dos insumos. Os produtores podiam citar mais de um item do questionário, que incluía ainda gestão de risco na comercialização do gado, citado por 50,95%, e o custo de reposição, citado por 14,29% dos produtores.
Realizado desde 2016, inicialmente com 11 confinamentos e 111 mil animais, o levantamento foi criado pela Cargill com a finalidade de ser uma base comparativa para o mercado como um todo. Os pecuaristas que participam do questionário e cedem os dados da fazenda o fazem de forma anônima e, em troca, contam com apoio técnico da companhia.
“A gente foi percebendo que a maturidade do gerenciamento de dados no Brasil demandava também que comparasse essas informações. Tem várias perguntas no dia a dia que a gente queria responder e, como a gente tem o nosso Feed Manager, que é um software de gestão de confinamento, a gente já tinha muito dado na mão, mas faltava a análise”, relata o executivo.
Tendências
Ao longo de dez anos, o Benchmarking Confinamento Probeef analisou dados de 11,8 milhões de animais em mais de 300 confinamentos diferentes, reunindo e comparando dados de gestão pecuária de confinamentos do Centro-Oeste e do Sudeste do país, além de propriedades da Bolívia e do Paraguai.
Dentre as principais tendências capturadas pelo levantamento ao longo dos anos, gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal, destaque para a maior conversão alimentar dos animais, com redução de 9,4 quilos de matéria seca por arroba produzida desde 2016, e aumento do ganho de peso médio diário, de 0,0098 quilo por dia ao ano.
“Tem muita coisa dentro desses números. Tem genética, tem sanidade, tem processamento de grãos, tem o grão úmido, tem apartação, tem melhoria das operações dos confinamentos, tudo isso foi melhorando e hoje nós estamos conseguindo produzir mais carne com menos alimento. Acho que esse é o recado e dá para ver nos dados”, destaca Bortolotto.
Outro dado ressaltado pelo pelo executivo foi o a redução do peso de entrada dos animais no confinamento ao longo da última década, de 1,2 quilo ao ano em média, e o aumento de dias no cocho, de 1,09 dia ao ano em média. Ao todo, os animais confinados no Brasil em 2025 entraram no regime de confinamento com 12,54 arrobas e ficaram 112 dias no cocho.
“A gente pode afirmar que a tendência futura no Brasil é o animal entrar cada vez mais leve e e ficar cada vez mais tempo no cocho. Esse 112 dias vão virar 120, 130, 150”, afirma Bortolotto ao comparar a média nacional a dos EUA, onde os animais ficam de 180 a 200 dias no cocho.
“Já teve bastante país que passou por isso que a gente está passando. O rebanho não vai continuar crescendo e a gente vai ter que extrair mais leite da mesma vaca, ou mais carne no mesmo boi. E para isso acontecer o boi vai ficar mais tempo no cocho”, completa o gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal.
Créditos Por Cleyton Vilarino - Globo Rural.
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