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Consumo de soja na China causa desmatamento na América Latina

Consumo de soja na China causa desmatamento na América Latina

A ONG do Reino Unido mostra os vínculos entre os bancos chineses e o desmatamento.

 
AMEAÇAS TRANSNACIONAIS
Agricultores brasileiros colhem soja em Campo Novo, Mato Grosso. A demanda chinesa de soja causa o desmatamento florestal e o colapso climático e ecológico do planeta. (Foto: Yasuyoshi Chiba, AFP)
A China encabeça a lista dos principais consumidores mundiais de soja. No entanto, depende muito das demais nações, especialmente da América Latina. Em 2017, o país asiático consumiu 63 por cento da produção mundial de soja. Um relatório de maio de 2019, O risco negligenciado, da ONG Projeto para a Divulgação do Carbono (CDP, em inglês), baseada em Londres, informa que os empréstimos realizados por bancos chineses às companhias asiáticas da cadeia de fornecimento de soja causam desmatamento através de suas operações financeiras, uma prática que põe em risco a biodiversidade.
Nos últimos anos, o aumento da degradação ambiental, como consequência do desmatamento de florestas para semear os cultivos ilegais, avança em toda a região. Por conseguinte, as forças militares e as instituições do setor de defesa do hemisfério unem os seus esforços para apoiar as autoridades ambientais na proteção e na defesa da biodiversidade em suas áreas de influência. A ONG londrina se junta a essa luta, analisando os dados das mudanças em nosso habitat, para que os governos e os investidores latino-americanos possam tomar decisões mais fundamentadas em informações.
A CDP afirma que apenas oito das 35 instituições financeiras chinesas analisadas entre 2013 e 2017 adotam políticas que levam em conta as questões ambientais no momento de tomar decisões financeiras que possam gerar riscos florestais. A CDP indica que diante da crescente demanda interna da China por soja, é provável que a produção da semente proveniente da América do Sul aumente. O Banco da China, o Banco Industrial e Comercial da China e o Banco Agrícola da China são as três principais instituições que fazem empréstimos à cadeia de fornecedores de soja.
“Isso desencadeará um desmatamento maior e mais rápido, o que por outro lado traz maiores riscos regulatórios e operacionais para o setor da oleaginosa e suas relativas instituições financeiras na China”, adverte a CDP. Oitenta por cento da produção de soja importada pelo país asiático são utilizados para a fabricação de óleos e forragens destinados à alimentação de animais de criação industrial, diz o jornal argentino La Voz.
Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai figuram como os principais produtores de soja da América Latina. Juntos, representam mais da metade da produção mundial da leguminosa, segundo a Universidade de Navarra, Espanha, em seu artigo Soja, a outra matéria-prima estratégica da América do Sul. O estudo ressalta que a produção global da oleaginosa ultrapassará 500 milhões de toneladas em 2050 e grande parte dessa demanda será atendida pela América do Sul.
Em 1995, a China produzia 14 milhões de toneladas de soja e consumia a mesma quantidade. Em 2019, produzirá 15 milhões de toneladas, mas consumirá 96 milhões de toneladas da oleaginosa. (Dados: BBC Mundo. Gráfico: Raúl Sánchez-Azuara)
“O cultivo da soja tem um papel decisivo no desmatamento e na perda dos habitats sensíveis em áreas críticas, incluindo o Amazonas, o Cerrado do Brasil e o Gran Chaco da Argentina e do Paraguai”, relata o Anuário 2018 da plataforma Trase, uma ferramenta desenvolvida pelo Instituto do Meio-Ambiente de Estocolmo, para monitorar a cadeia de produtos básicos no âmbito mundial. A Trase destaca que “o desmatamento poderá causar danos irreversíveis à biodiversidade e degradar a segurança da água”.
A organização ambientalista Greenpeace informou que em 2018 o desmatamento na Argentina chegou a 113.000 hectares, dos quais 41.000 hectares estão em zonas restritas. “O desmatamento está vinculado não apenas à soja, mas também à demanda pela leguminosa”, garante a instituição.
A importação chinesa do grão brasileiro está vinculada ao desmatamento de 223.000 hectares entre 2013 e 2017, segundo a página The Brazilian Report na internet. A redução florestal aumentará à medida que a China recorrer ao Brasil para fazer frente à sua demanda. Para equilibrar o déficit, o Brasil terá que desmatar de 25 a 57 vezes mais a área total programada para atender à demanda asiática de 2013 a 2017, explica a CDP.
“As indústrias de soja e a pecuária destroem o Cerrado; elas destroem o meio-ambiente, agravam a crise climática e deslocam e violentam as populações indígenas que há centenas de anos ocupam o território”, relatou à imprensa Rómulo Batista, membro da Greenpeace Brasil. “O Cerrado brasileiro é o lençol mais rico em vida silvestre do mundo.”
“Essas companhias destroem o futuro de nossos filhos ao conduzir-nos ao colapso climático e ecológico”, disse à imprensa Anna Jones, líder do Projeto Global para Bosques, da organização Greenpeace Reino Unido.
O relatório da CDP conclui que os bancos chineses devem identificar e calcular o volume do financiamento ligado ao desmatamento ocasionado pela soja. Além disso, a ONG exorta as instituições financeiras a implementarem quatro fases: compreender a exposição aos riscos de desmatamento; analisar o risco de desmatamento; desenvolver políticas de gestão de riscos florestais; e colaborar com as empresas para verificar o cumprimento das políticas florestais. 




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